Indústria alimentícia cria autoregulamentação para publicidade infantil

quinta-feira, agosto 27 by Kayo Medeiros , under


Ontem um grupo de 24 empresas do setor alimentício, incluindo aí McDonald's, Coca-cola e Kellog's, assinou um acordo onde se comprometem a não veicular publicidade voltada a crianças de 0 a 12 anos em programas de TV onde 50% ou mais da audiência seja formada por esse público. A regra se aplica a todas as mídias, como jornal, televisão e internet.

A proposta, no entanto, possui um certo ar de inaplicabilidade. Nenhum programa da TV aberta possui mais de 30% de seu público formando por pessoas de 4 a 11 anos (Ibope - Grande SP). Na TV Cultura, só dois programas ("Tudo sobre Animais" e "X-Tudo Mágica" [nossa, X-Tudo ainda existe?]) se enquadram no acordo. Nem mesmo os canais de TVs por assinatura são atingidos: de cada cem telespectadores do Discovery Kids, na média das 7h às 18h, só 31 têm de 4 a 11 anos; no Cartoon Network, 41 de cada 100, segundo a medição do Ibope nos oito maiores mercados de TV paga, de janeiro ao início de agosto.

Ainda assim, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pretende publicar atéo o fim do ano novas regras para propagandas de produtos com altos níveis de açucar, sal e gorduras, como chocolates, bolos, bolachas recheadas, salgadinhos e refrigerantes. A medida não se aplicará apenas a anúncios direcionados a crianças, mas a todos os públicos - crianças inclusas. De acordo com o texto, as propagandas deverão conter frases informativas, como as existentes nos anúncios de medicamentos e cigarros - e nos mesmos moldes de tamanho e cor. Por exemplo, um comercial de bolacha de chocolate deverá trazer, por escrito e lido pelo narrador, uma frase alertando que se trata de um produto com altos índices de açúcar (causador da diabetes, colesterol e obesidade - melhor que fumar e ficar broxa, certo?). "A regulamentação trará regras para as propagandas que influenciam no consumo de determinados produtos entre a população, até mesmo infantil", diz a gerente-geral de Fiscalização de Propaganda da Anvisa, Maria José Delgado. Segundo ela, a decisão está baseada no aumento da incidência de doenças crônicas no País, como diabete, hipertensão, síndrome metabólica e problemas cardíacos.

Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 60% dos gastos ambulatoriais e hospitalares do Sistema Único de Saúde ocorrem no atendimento a complicações decorrentes das doenças crônicas. Pesquisas realizadas em amostras populacionais mostram que o sobrepeso e obesidade atingem cerca de 30% das crianças. A regulamentação da Anvisa está em estudo desde 2006, quando o tema foi colocado para consulta pública. Desde então, sugestões foram recebidas e uma audiência pública foi realizada na semana passada, último passo para a elaboração do texto final. A iniciativa tem provocado discussão com a indústria, que questiona a competência da agência para regulamentar propaganda. "Nós temos embasamento jurídico para a questão. A legislação diz apenas que leis estaduais ou municipais não podem legislar sobre propaganda", diz Maria José.

Matéria completa no Estadão, e nos principais jornais de hoje.

Oktoberfest Blumenau 2009

quarta-feira, agosto 26 by Kayo Medeiros , under


Mesmo com um mês de antecedência, Santa Catarina já se prepara para um de seus maiores eventos do ano. O Oktoberfest de Blumenau, o mais tradicional do país, ocorrerá entre os dias 1º e 18 de outubro com previsão de 700 mil visitantes - em 2008, foram quase 600 mil. As festividades tradicionais, como desfiles, grupos de danças e músicas típicas, assim como o concurso para a escolha da rainha permanecem na programação, mas para alcançar o novo recorde de público, o evento contará também com uma programação mais variada: sete DJs alemãesse apresentarão durante o evento, às quintas-feiras (8 e 15) e aos sábados (3, 10 e 17), no pavilhão 3.

Vale lembrar que todas as tardes existe distribuição grátis de cerveja, sendo que os endereços são todos surpresa (no entanto, segundo fontes, o Parque Vila Germânica é certo). Mais informações no site do evento, em http://www.oktoberfestblumenau.com.br/oktober2009/, e matéria completa no Estadão.

Até!

Complicações

by Kayo Medeiros , under

Eu juro que ia tentar escrever um artigo estilo resumão (como os outros dois) sobre a crise do Sarney, ou sobre as declarações a respeito da ingerência na receita. Mas tenha dó, né. Acho que nem esse pessoal mesmo tá entendendo mais o que faz...

Pirate Bay: novo Napster?

segunda-feira, agosto 24 by Kayo Medeiros , under

Hoje uma empresa sueca, a Global Gaming Factory X AB, anunciou a compra do "The Pirate Bay", um dos mais famosos sites de disponibilização de arquivos de mídia grátis no mundo e com um dos maiores índices de acesso entre seus "concorrentes", por um valor equivalente a US$ 7,8 milhões. Entre aspas, porquê o site não ganha nada com os arquivos - que, aliás, nem estão hospedados no próprio site, como afirmam seus fundadores, Fredrik Neij, Gottfrid Svartholm Warg e Peter Sunde - e por isso não possui concorrentes no sentido mercadológico do termo. A aquisição já vinha sendo "sentida" há algum tempo, devido comentários dos próprios fundadores, que davam a entender um futuro incerto ao site. Em julho, quando questionado em uma entrevista dada à Folha de S. Paulo, Sunde foi evasivo: "Muita coisa vai ocorrer ainda, mas não posso falar sobre isso". Agora já sabemos o que ele queria dizer. Segundo os responsáveis pelo site, o domínio não apresentava mudanças significativas já nos últimos 2 ou 3 anos, o que pra eles serviu como alerta já que segundo os mesmos, tudo aquilo existente na internet que não apresente uma evolução só tem como opção restante a morte, o que não estava exatamente nos planos.

Só que, no meio dessa história toda de compra, um novo fato é jogado na mesa: a justiça sueca dá ganho de causa a uma ação perpetrada pelas grandes companhias detentoras dos direitos autorais dos arquivos disponíveis no site, entre elas Disney, Warner, Columbia, Paramount, EMI, Sony, entre outros. O site é tirado do ar, sob ameaça de multa de pouco mais de US$ 70 mil caso a decisão não fosse cumprida. Não fosse o bastante, a empresa que adquiriu o site está sob investigação, com suspeitas de informação privilegiada (quando você recebe informações antecipadamente sobre mudanças nos valores das ações de uma certa empresa, possibilitando assim um maior lucro em comparação com aqueles que desconhecem fatos decisivos - puta crime no mundo inteiro).

Agora, a justificativa do título: em nota, a GGF afirma que pretende implementar mudanças no Pirate Bay, esperando desenvolver "novos modelos de negócio que permitam compensar os produtores de conteúdo e detentores de direitos autorais". Para aqueles que não lembram, a mesma coisa aconteceu com o Napster no final dos anos 90, quando foi fechado pela indústria fonográfica (incluindo alguns artistas que ficaram magoados por ter suas músicas distribuídas de graça pra quem quisesse ouvir, como o Metallica). Hans Pandeya, executivo-chefe da empresa, diz o seguinte: "Nós gostaríamos de introduzir modelos que envolvam o pagamento de provedores de conteúdo e donos de direitos autorais pelo que é baixado no site". "Parece que eles vão 'napsterizar' o Pirate Bay", afirma Leigh Ellis, analista da empresa Gillhams Solicitors para assuntos relacionados à propriedade intelectual. Mas o melhor foi a grande descoberta de Mark Mulligan, da empresa de pesquisas Forrester: ele afirma que muitos dos 22 milhões de usuários do portal devem migrar para outros serviços de download gratuito. "No fundo, a maior parte das pessoas que usam sistemas de compartilhamento de arquivos escolhe essa opção porque é grátis. Eles não vão começar a pagar só porque os donos têm um novo modelo de negócio". Jura, Mark? Você é tão inteligente cara, tenho tanto orgulho de você!

Tudo bem, todo mundo sabe que isso é discussão antiga, e também que está longe de acabar. Mas vamos aos fatos: O Pirate Bay deu origem a um partido político na suécia (que eu saiba, nenhum outro site fez isso ainda), o chamado Partido Pirata, que em 2006 contava com cerca de 63 mil (!) afiliados, entre o partido oficial e sua juventude ("partidos" formados por aqueles que ainda não tem idade suficiente para atuar legalmente na política do país - o Brasil tem isso também), e em 2009 elegeu um deputado nas eleições para o Parlamento Europeu. Os três fundadores foram condenados à um ano de prisão mais uma multa no valor de US$3,6 milhões, a qual eles informaram que não seria paga. A ação que eles respondem é por violação de direitos autorais, mas o site não hospeda nenhum arquivo, e até agora, mesmo condenados, o juiz não disse o motivo da condenação. Nicolas Sarkozy, o cara casado com Carla Bruni, primeira-dama da França, quase fez passar uma lei antipirataria em território francês, onde - olha que legal - o governo bloquearia o seu acesso à internet se você fosse pego (como? simples: vigilância 24 horas sobre TODA a rede) baixando arquivos ilegais da internet. Alguém aí lembrou da China e Coréia do Norte? Pois é. Sem falar naquele pessoal que foi preso por causa disso, creio que que nos States e na própria França. Uma mulher foi condenada por baixar algumas músicas da Britney Spears, entre outras. Tá, essa mereceu.

E isso ainda vai longe. Até!

Obs.: Todas as fontes nos links no meio do texto, e aí embaixo!

http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u613964.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u601615.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u589143.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u588660.shtml
http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Pirata
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u579424.shtml

O fim do velho modelo de distribuição de informação - e do novo também

domingo, agosto 23 by Kayo Medeiros , under

A questão não é declarar a hora do óbito, ou mesmo escrever o anúncio de falecimento. Até porque, não me imagino como a pessoa mais indicada pra isso. O curioso, para uma primeira postagem como essa, é que logo hoje li algumas matérias - e posts - afirmando algo que já se mostrava óbvio para todos nós: a maneira como a informação está sendo passada não é das melhores, e não vai sobreviver por muito tempo. A primeira coisa que li (por acaso, já que não frequento o blog) foi no Interney, com esse post aqui. Nele, ele comenta sobre Steve Rubel, diretor da Edelman Digital, que anunciou em junho deste ano que abandonaria o seu blog, trocando-o pelo Posterous, plataforma de lifestreaming de uso simples e desburocratizado: basta enviar seus posts para o e-mail post@posterous.com para que eles sejam publicados, dispensando o preenchimento de cadastros e a memorização de mais um login e senha. Muito bem, não faço idéia de quem é o cara e não estou me importando muito com isso, mas o interessante mesmo foi a justificativa desse belo e faceiro cidadão:

"O formato atual dos blogs precisa de um 'reboot'. Creio que pessoas não têm tempo para ler tanto quanto costumavam ter. Além disso, blogs precisam estar conectados a hubs de redes sociais. O Posterous me permite fazer isso de várias maneiras, inclusive permitindo que meus leitores enviem seus comentários através de Facebook, Twitter, Backtype e Friendfeed."

Ou seja: o cara diz que não adianta você tentar se comprometer com uma plataforma excludente, numa realidade onde TUDO precisa de uma enorme intercomunicação. Os blogs, mesmo os 2.0 (que, pra quem não sabe, são diferentes dos 1.0 porque são a geração onde o público cria conteúdo, ao invés de apenas recebê-lo) acabaram se tornando uma versão "tunada" dos jornais, onde o que se vê são textos e mais textos, com a única diferença que os leitores agoram podem ler notícias e opiniões sem precisar parar o que estão fazendo para abrir aquelas folhas enormes dos jornais (que, venhamos e covenhamos, são um saco). Mais adiante, o tal Rubel enfatiza a busca por ferramentas e formatos menos rígidos de blogar, ressaltando que seu lifestream serve como um ponto de partida para os conteúdos que ele publica em outras redes sociais: YouTube, Flickr, Twitter, entre outros.

Outros que andam mal das pernas - e há muito mais tempo - são os jornais impressos. Li no Forastieri o chamado "The nichepaper manifesto" (no blog da Harvard Business, que chique!). Beleza, o manifesto - que tá em inglês estadunisense boa gente, e que não vou traduzir aqui (se vira e usa o tradutor no google, quem sabe salva...) - fala como os jornais na verdade só são rentáveis por causa dos - pasmem! - leitores, e não dos jornalistas. O querido amigo que assina o manifesto é o "Umair and the Edge Economy Community", e continua explicando várias das falhas mortais do jornais, que ao meu ver, poderiam estar resumidas em uma só: os caras não se contentam. Melhor dizendo, o ego dos caras é tão grande que vaza por onde dá (estou sendo tão delicado hoje, minha gente). O manifesto deixa claro como a falta de comunicação entre as partes tornou-se o tendão de Aquiles da galera da informação industrial, assim como a venda de notícias velhas, duras e engessadas ao invés da transmissão de conhecimento, a falta de habilidades, e o rabo-preso. Segundo eles, os tais "jornais de nicho" correm atrás daquilo que acreditam ser melhor, para publicar da melhor maneira possível, ainda mais porque dificilmente terão compromissos com patrocinadores manipuladores. Lembrando que "jornais de nicho" não significam jornais pequenos, ou mesmo jornais. No termo estão inclusos blogs, microblogs, e toda essa vasta fauna que tem hoje por aí.

Último exemplo: um bilionáriozinho australiano, dono da News Corporation e de sacolas cheias de jornais e emissoras de televisão no mundo inteiro, disse que fornecer jornalismo de alta qualidade na internet por preço zero é burrice. (leia a reportagem completa no Der Spiegel) Jura? Vamos pensar bem, no ponto de vista dos conglomerados de informação: a sua empresa ganha dinheiro vendendo jornal; se você disponibiliza o mesmo conteúdo online, e cada vez mais pessoas largam o impresso e optam pelo online, o que acontece com você? Matemática simples: seu lucro vai cair na mesma proporção que às pessoas correm para o seu site! E nunca, nunca mesmo, aquele bannerzinho lindo e maravilhoso vai te render tanto quanto um anúncio de página inteira. Então, o que nosso amiguinho Rupert Murdoch (o bilionário) vai fazer? Cobrar pelo acesso online! UAU! Descoberta incrível, não é mesmo, Rupert? Ledo engano. O cara nunca deixou de cobrar. Quando todos os outros jornais disponibilizaram acesso gratuito, ele negou. A verdade é que isso nunca teve futuro.

E qual a conclusão disso tudo? Não, os jornais impressos, online e blogs não estão mortos, nem vão acabar tão cedo. Isso porque sempre haverão consumidores para esses veículos. A diferença será na quantidade de consumidores. O caminho passa a ser buscar uma maior integralização e, como dizer, "conectividade" entre os diferentes veículos. O formato precisa ser atualizado, revisto, contemporaneizado. Como tantas vezes foi feito.

Ah, vale a pena ler tudo que tá aí no meio do textos, em especial os links. E esse aqui também, onde é mostrada uma opinião um pouco diferente da minha. Vejamos o outro lado, que tal?

Até!